A farsa das SAFs no Brasil: como o modelo concentrou poder e transformou o torcedor em coadjuvante do próprio clube

Dinheiro, jogadores e esperança de uma nova fase. Mas com imprevisibilidade e inconstância continua.

As SAFs foram vendidas como solução de profissionalização e transparência para o futebol brasileiro. Na prática, porém, o modelo concentrou poder no investidor e reduziu o torcedor a espectador de decisões estratégicas tomadas sem participação ou previsibilidade.

Demissões em massa, dívidas bilionárias, empréstimos controversos e mudanças bruscas de rumo revelam um padrão de governança com baixa prestação de contas. A promessa de gestão técnica deu lugar à sensação de opacidade e instabilidade permanente.

O debate deixa de ser ideológico e passa a ser estrutural: sem mecanismos claros de controle, veto e transparência, a SAF corre o risco de transformar o clube em ativo financeiro volátil — e o torcedor, em mero figurante do próprio time.

Em crise financeira, a SAF Botafogo demite funcionários por redução de custos. Os 40 cortes atingiram os departamentos de marketing, jurídico e programa sócio-torcedor, justificados como reestruturação para sustentabilidade. Mas aconteceram na mesma semana em que o clube recebeu aporte milionário e encerrou o banimento de contratações.

 

 

O Vasco viveu uma versão ainda mais drástica desse padrão – a 777 Partners fez uma gestão temerária, com decisões unilaterais , tais como emprestar R$25,8 milhões da SAF para a empresa do próprio grupo. A torcida exigiu transparência, mas a gravidade só ficou clara quando o clube entrou em recuperação judicial, com passivo de R$1,18 bilhão e patrimônio líquido negativo de R$703,9 milhões.

Análise jurídica apontou que o contrato da SAF não tinha garantias reais – cláusulas de veto, do clube, em decisões críticas ou auditorias independentes, obrigatórias – permitindo que o investidor tomasse decisões sem supervisão até ao colapso. O padrão se repete, a promessa de profissionalização vira mentira, porque a SAF concentra poder sem muitos mecanismos obrigatórios de prestação de contas ao clube associativo ou à torcida.

 

Fonte: @brandsdecoded__ (instagram)

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